Boletim eletrônico Nº 671 - Ano XII - 24 de novembro a 1º de dezembro de 2017.

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A “arte degenerada” de Lasar Segall entra em cartaz a partir do dia 25 de novembro

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O Museu Lasar Segall (MLS/Ibram), em parceria com o Museu de Arte Contemporânea (MAC USP) apresenta a partir do sábado (25) a exposição A “arte degenerada” de Lasar Segall: perseguição à arte moderna em tempos de guerra.

Com curadoria de Helouise Costa (MAC USP) e Daniel Rincon (MLS/Ibram), a mostra conta com cerca de 35 gravuras de Lasar Segall, que estiveram entre aquelas confiscadas de museus públicos alemães, na ação dos nazistas contra o que denominavam de “arte degenerada”. Entre os 112 artistas que tiveram obras selecionadas naquela ocasião estavam Marc Chagall, Max Ernst, George Grosz, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Piet Mondrian e Lasar Segall.

A exposição Arte Degenerada (Munique-1937) teve desdobramentos concretos no Brasil, embora esse fato ainda seja pouco conhecido. A fim de contribuir para uma reflexão crítica sobre esse fenômeno, com embasamento histórico, a mostra atual dedicará uma seção à exposição Arte condenada pelo Terceiro Reich, organizada por Miécio Askanazy, em 1945, judeu polonês que se refugiou no Rio de Janeiro, e fundou ali uma das primeiras galerias de arte moderna do Brasil.

Para o diretor do museu, Jorge Schwartz, a exposição se reveste de dupla importância: primeiro por rememorar os 80 anos da exposição Arte degenerada, organizada pelo regime nazista em Munich em 1937; e, também, por coincidir com um momento em que exposições de arte no Brasil voltam a ser censuradas e canceladas, com violência, por parte de grupos extremistas. “Não poderia ser mais apropriado mostrar que a história pode se repetir e que a sociedade precisa estar permanentemente atenta”, concluiu Schwartz.

A exposição A “arte degenerada” de Lasar Segall: perseguição à arte moderna em tempos de guerra fica em cartaz até o 30 de abril de 2018, no Museu Lasar Segall, que fica na Rua Berta, 111 - Vila Mariana, em São Paulo (SP). Mais informações em museusegall.org.br

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Comitê Consultivo do Programa Pontos de Memória tem sua primeira reunião

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Prevista na Portaria nº 315, de 6 de setembro de 2017, que o instituiu como política pública perene no âmbito do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a participação institucionalizada da sociedade na condução do Programa Pontos de Memória teve seu marco inaugural na última sexta-feira (17), com a realização da primeira reunião do Comitê Consultivo do programa.

Criado pela portaria, o Comitê Consultivo do Programa Pontos de Memória é composto por representantes de pontos de memória de todas as regiões brasileiras, das redes temáticas e territoriais e dos pontos de memória considerados pioneiros, além de representantes de departamentos que integram a estrutura do Ibram e do presidente do órgão, que preside o comitê.

A instância colegiada, de caráter permanente, tem como função promover debates e propor ações, estratégias e diretrizes para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à museologia social. O comitê se reunirá duas vezes por ano, sendo uma reunião presencial e outra virtual.

Realizada em formato virtual, a primeira reunião referendou a atual composição do conselho e suas atribuições. Também foi abordada a definição de um regimento interno para o comitê – a portaria que institui o Programa Pontos de Memória fixou prazo de até 240 dias para a publicação do regimento, que regulamentará o funcionamento da instância consultiva.

A próxima reunião do Comitê Consultivo do Programa Pontos de Memória está agendada para o próximo dia 20 de dezembro, quando uma proposta de regimento interno será discutida e aprovada.

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Palestra no Ibram debate gestão pública em parceria com OSCs

O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), aprovado em 2014, foi tema de palestra que o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) promoveu em sua sede, em Brasília (DF), na tarde desta quinta-feira (23).

Objeto da Lei 13.019/2014, o novo marco foi apresentado e debatido junto aos servidores do Ibram com a participação do advogado e professor Humberto Fernandes Moura, consultor jurídico adjunto do Ministério do Esporte, e outros dois servidores da área jurídica vinculados à pasta.

Durante duas horas e meia, servidores do Ibram puderam conhecer um pouco melhor a nova lei, que trouxe novas possibilidades para a gestão pública, por meio de parcerias com as organizações civis, e tirar dúvidas sobre sua utilização na perspectiva de aprimoramento das políticas públicas para os museus brasileiros.

Além dos servidores do Ibram em Brasília (DF), a palestra pôde ser acompanhada também por profissionais de museus e representações da rede Ibram, além do público em geral, através de transmissão online.

“Foi muito importante para dar um ponto de partida na discussão e troca de experiências relacionadas ao MROSC com outros atores da esfera federal”, avaliou o presidente do Ibram, Marcelo Araujo. “A ideia é realizar outros encontros para discutir o novo marco e podermos seguir com segurança”, completou.

 

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MAB abre exposição com acervo repatriado de terreiros

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O confisco policial de objetos sagrados pertencentes a terreiros é uma dolorosa tradição brasileira e traço marcante da história de Pernambuco, estado que concentra uma das maiores concentrações de templos e comunidades religiosas de matriz africana. Devolver simbolicamente parte deste acervo, considerado sagrado e de incalculável valor cultural, é o objetivo de exposição digital que o Museu da Abolição (MAB), em Recife (PE), inaugura na próxima terça-feira (28), às 19h.

Realizada em parceria com o Museu Afrodigital (PPGA/UFPE) e o Centro Cultural São Paulo (CCSP), “Repatriação Digital do Acervo Confiscado de Terreiros” traz fotografias digitais de cerca de 500 objetos pertencentes a terreiros do Recife que foram confiscados pela polícia durante perseguições a sua expressão religiosa.

A exposição é um desdobramento do projeto “Repatriação digital do acervo afro Pernambucano sob a guarda do Centro Cultural São Paulo”, financiado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Pernambuco – Funcultura. Os objetos que integram o conjunto exposto foram cedidos pelas autoridades policiais à Missão de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade durante sua passagem pelo Recife, em 1938, e hoje se encontram sob a guarda do CCSP.

O projeto “Repatriação Digital” identificou e digitalizou todos os objetos dos terreiros do Recife salvaguardados pela Missão, inclusive em 3D (objetos tridimensionais), e atualizou sua documentação museológica. O conjunto de fotografias, produzidas durante a pesquisa no CCSP, passa a compor o acervo digital do MAB e o inventário do Museu Afrodigital.

Fomento ao debate – O resultado deste trabalho, além de permitir ao público pernambucano o acesso a um acervo que se encontra distante de seu solo original, oferece a possibilidade de resgatar memórias sociais em torno das perseguições das expressões religiosas de matriz africana ocorrida nos anos 1930 em Recife – no contexto do estreitamento de liberdades políticas, controle dos movimentos sociais e “disciplinamento” dos trabalhadores brasileiros praticados no Estado Novo.

“A parceria desenvolvida entre o MAB, o Museu Afrodigital e o CCSP traz a oportunidade de assegurar o direito à memória e fomentar o debate em torno do respeito às expressões religiosas dos povos tradicionais”, explica a diretora do MAB, Maria Elisabete Arruda.
A exposição já está disponível para visitação também pelo site do Museu Afrodigital e será tema do seminário “Memória e Resistência do Povo de Terreiro”, que o MAB sedia de 29/11 a 1º de dezembro, das 9h às 17h.

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Museu Villa-Lobos recebe doação de sete partituras do compositor

Partituras doadas pela ABM 1 - 2017-11-17

Em visita à Academia Brasileira de Música (ABM), na última sexta-feira (17), a recém-empossada diretora do Museu Villa-Lobos, Claudia Castro, recebeu das mãos do presidente daquela instituição, André Cardoso, a doação de sete partituras do compositor recentemente revistas e editoradas pelo Banco de Partituras de Música Brasileira.

As partituras doadas são referentes às obras "Coleção Brasileira", "Miniaturas", "Historietas", "Sinfonia Nº 10", "Epigramas Irônicos e Sentimentais", "Bachianas Brasileiras Nº 9" e "Alvorada na Floresta Tropical". À exceção das duas últimas, são as primeiras publicações dessas obras – que, a partir de agora, encontram-se à disposição do público para consulta na biblioteca do museu, situado no Rio de Janeiro (RJ).

A Academia Brasileira de Música, que é herdeira de Villa-Lobos e detém 100% dos direitos do compositor, é responsável pelas editorações eletrônicas e publicação de suas partituras. “Neste sentido o Museu Villa-Lobos, como responsável pela guarda dos originais do compositor, tem um papel fundamental, fornecendo à ABM reproduções desse acervo – às vezes, além das partituras finais, esboços e rascunhos das obras”, explica Marcelo Rodolfo Lopes Ramalho, consultor musical do museu.

O acervo - O Museu Villa-Lobos, que integra a rede Ibram, é responsável pela coleta, manutenção, preservação, estudo e divulgação de milhares de itens que atestam, testemunham e ilustram a vida e a obra do compositor brasileiro (1887-1959). Seu acervo conta com 2,3 mil partituras de Villa-Lobos, entre manuscritos originais, impressos e reproduções (cópias xerox, fotostáticas, heliográficas e outras) que suprem a ausência de originais.

Além das partituras, o museu preserva livros, folhetos, teses, monografias, separatas, cadernos, anais, periódicos e hemeroteca; correspondências e outros documentos textuais de Heitor Villa-Lobos; seu arquivo sonoro e audiovisual; programas e cartazes de concerto; e fotografias do maior expoente do modernismo musical brasileiro.

 

Agendas

47ª Jornada Republicana – Museu, Censura e Histórias Controvérsias

O quê: O século XXI, com suas tradições, traições e contradições, impõe aos museus muito mais que uma análise crítica de seus discursos e práticas; exige atuação a favor da cidadania, da libertação e não da escravidão dos seres humanos. Nesse contexto, a Jornada Republicana deste mês promoverá um debate sobre a importância dos museus enfrentarem as controvérsias e resistam à censura e às tentativa de cerceamento do direito de livre expressão. Participarão: Alberto Moby Riberio da Silva, abordando o tema “Tempos de Ditadura: MPB sob Censura” e Mário Chagas, com o tema “Museu e Censura”. Mediação de Maria Helena Versiani, pesquisadora do Museu da República.
Quando: 28 de novembro, das 18h às 20h. Entrada franca.
Onde: Museu da República (Rua do Catete, 153 – Catete, Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2127-0341

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Arte concreta e neoconcreta

O quê: João Bandeira, poeta, pesquisador e músico, será o conferencista do 6° encontro sobre exposições culturais que marcaram a cena brasileira, organizado pela Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência. A palestra abordará a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada no MAM-SP em 1956, e a 1ª Exposição Nacional de Arte Neoconcreta, que aconteceu em 1959 no MAM-RJ.
Quando: 28 de novembro, às 14h30. Entrada franca.
Onde: Sala de Eventos do Instituto de Estudos Avançados (Rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo).
Informações: (11) 3091-1678

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Ocupação Rosa Encantado

O quê: A Ocupação Rosa Encantado marca a passagem dos 50 anos de “encantamento” do escrito João Guimarães Rosa, reunindo criações e discussões em torno das artes: exposição, mesa literária, apresentação de cirandas, palestra com Bia Lessa, show com Egberto Gismonti, entre outras atrações.
Quando: 27 de novembro a 3 de dezembro. Confira programação www.fcs.mg.gov.br. Entrada franca.
Onde: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte – MG)
Informações: (31) 3236-7400

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Ocupação Nise da Silveira

O quê: A 37ª edição do Programa Ocupação homenageia a trajetória de Nise da Silveira, apresentando os métodos, as referências e os principais conceitos mobilizados por ela: o afeto como disparador da cura, os animais como terapeutas, o contato com os materiais como aprendizado fundamental. A mostra conta com obras do Museu de Imagens do Inconsciente, criado por Nise, além de documentos e entrevistas com pessoas próximas à sua obra. Durante todo o período da exibição da mostra, a Ocupação Nise da Silveira reserva, no piso térreo do Itaú Cultural, um espaço onde o público pode fazer experimentações livres em desenho — uma das técnicas adotadas pela médica em suas terapias.
Quando: 25 de novembro a 28 de janeiro de 2018; terça a sexta, das 9h às 20h, e sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h. Entrada gratuita.
Onde: Espaço Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – São Paulo).
Informações: (11) 2168-1777 / atendimento@itaucultural.org.br

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Francisco Graciano, arte e vida

O quê: A imaginação e o olhar aguçado andam lado a lado no trabalho do artista plástico Francisco Graciano. Seu trabalho explicita sua preferência por elementos da natureza onde os animais ocupam lugar de destaque em suas concepções e as cores vivas compõem o universo criativo e singular de suas obras.
Quando: de 24 de novembro a 21 de janeiro de 2018; terça a sexta, das 11h às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h. Entrada franca.
Onde: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (Rua do Catete, 179 – Rio de Janeiro).
Informações: (21) 3826-4324 / 3826-4327

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Dissidências sexuais - cinema, gênero e direitos

O quê: A mostra pretende contribuir para a promoção dos direitos daqueles que diariamente sofrem violência, opressão social, política e econômica por suas orientações sexuais, ou identidades de gênero, promovendo a diversidade cultural e os direitos humanos.
Quando: De 27/11 a 1º/12. Entrada gratuita (175 lugares para cada sessão).
Onde: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo | Rio de Janeiro - RJ)
Informações: www.dissidenciassexuais.com.br

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Histórias da sexualidade: filmes & vídeos

O quê: O programa apresentará 34 obras distribuídas em 14 sessões. São produções que dialogam, direta e indiretamente, com conceitos observáveis na exposição "Histórias da sexualidade" (20.10.2017 a 14.2.2018), tais como a performatividade de gênero, jogos sexuais, voyeurismo, mercado do sexo, religiosidade e ativismo.
Quando: De 28/10 a 13/2 de 2018. Sábados e terças, às 16h. Sessões gratuitas.
Onde: Museu de Arte de São Paulo - MASP (Av. Paulista, 1578 | São Paulo - SP)
Informações: http://bit.ly/2jgqwoH

 

Cursos e Oficinas

Coleções fotográficas: acervos, preservação, pesquisa e políticas de acesso

O quê: Seminário do GT de Cultura Visual, Imagem e História – ANPUH – RJ - LABHOI-UFF e APERJ, com o tema "Uma agenda para a fotografia".
Quando: De 30/11 a 1º/12.
Onde: Sociedade Fluminense de Fotografia (Rua Dr. Celestino, 115 - Centro | Rio de Janeiro - RJ)
Informações: inscrições por e-mail até o dia 28/11 pelo e-mail labhoi@gmail.com (indicação do nome, interesse no evento e filiação institucional)