Boletim eletrônico Nº 718 - Ano XV - 7 a 14 de dezembro de 2018

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Comissão mista adia votação sobre MP 850 para a próxima terça

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A leitura, discussão e votação de relatório preliminar sobre a Medida Provisória nº 850, que aconteceria nesta quarta-feira (5) na comissão mista destinada a emitir parecer sobre o tema, foi adiada para a próxima terça-feira (11).

A relatora da matéria, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA), adiantou durante a reunião da comissão mista realizada nesta quarta-feira que o relatório a ser apresentado mantém o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e substitui a criação da Agência Brasileira de Museus (Abram), prevista na proposição, por um fundo de amparo ao setor.

A proposta — costurada pela relatora, pelo presidente da comissão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e por representantes do Ibram — mantém o órgão em funcionamento e substitui a criação da Abram por um fundo de amparo a museus, a exemplo do que existe em universidades.

“O texto da MP não é o que mais indica um caminho porque cria uma agência para substituir na prática o Ibram, que foi constituído como resultante de um processo de mobilização, de debate de uma política pública para os museus no Brasil”, avaliou a senadora, para quem a criação de um fundo de amparo nos moldes citados atende a necessidade de garantir recursos para a manutenção e desenvolvimento dos museus brasileiros sem implicar na fragilização do Ibram e descontinuidade de suas políticas públicas.

Lídice da Mata disse que ainda aguarda entendimento com o governo para votação do relatório. Se aprovado na comissão mista, o texto ainda precisará ser votado nos Plenários da Câmara e do Senado. O prazo de vigência da MP 850/2018, já prorrogado, expira em 18 de fevereiro de 2019.

“Estamos elaborando o texto do relatório agora, que poderá contribuir para a preservação do Ibram e para uma política de proteção dos museus. Não consigo fazer um relatório que vá na extinção do Ibram. Não podemos ser responsabilizados por uma medida com que não concordamos”, afirmou a senadora.

Com informações da Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

 

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Museu Casa da Princesa reabre ao público após restauro e reformulação

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Após dois anos fechado para obras de restauro e processo amplo de reformulação, o Museu Casa da Princesa, em Pilar de Goiás (GO), foi reaberto ao público na última quinta-feira (6).

Situado em antiga moradia senhorial do séc. XVIII (apogeu da mineração do ouro na região), exemplar da arquitetura civil colonial brasileira, o Museu Casa da Princesa abriga acervo composto por cerca de 1,2 mil itens que incluem documentos históricos, fotografias, mobiliário, utensílios sacros, domésticos, de trabalho (engenho, mineração e tear) e também instrumentos de tortura utilizados nos casarões de fazendas goianas dos séculos XVIII, XIX e XX.

No período 2016/2017, o museu passou por obra de restauro, em parceria com o Iphan, que contemplou áreas estruturais do prédio, como telhado, forro, piso, instalações elétricas, drenagem e requalificação dos banheiros. Foram restaurados esteios, forros, pintura e esquadrias do imóvel histórico, que possui doze cômodos e quintal, com área total de 722,81 m². Tombada desde 1954, a casa tivera seu último restauro realizado no período 1979/1980, quando o museu foi inaugurado.

No mesmo período, a instituição teve seu plano museológico atualizado e ganhou projetos museográfico e curatorial, elaborados pela equipe do Ibram. Uma força-tarefa integrada por servidores do órgão também realizou inventário de todo o acervo do museu, composto por 1,2 mil itens que incluem documentos históricos, fotografias, mobiliário, utensílios sacros, domésticos, de trabalho e também instrumentos de tortura do período colonial.

Além de etapa básica para a preservação dos bens culturais citados, o inventário foi essencial para repensar a comunicação do acervo da Casa da Princesa – etapa que foi complementada com a elaboração de nova expografia para o museu, que começou a ser pensada em workshop realizado com a participação de profissionais do Ibram em agosto de 2017 e foi executada por empresa especializada em 2018.

Nova apresentação de conteúdo

O novo circuito expositivo contempla a diversidade dos acervos que o museu possui e homenageia um personagem fundamental para sua história: o ex-zelador da instituição Antônio Gomes, também ex-morador e grande responsável por reunir durante anos a maior parte do acervo da Casa da Princesa, carinhosamente conhecido pela comunidade local como “Seu Tição”.

A nova exposição abriga nova identidade visual, iluminação, cores e interação com o público. Na recepção, o visitante pode agora conhecer um pouco mais sobre os primeiros ocupantes do território, os povos indígenas e quilombolas. No segundo módulo, é convidado a conhecer o garimpo, a mineração e a cachoeira do Ogó. Em seguida, poderá interagir com a Casa da Princesa através de jogo de espelhos que possibilita apreciar detalhes iconográficos do imóvel histórico.

A história dos modos de vida, trabalho, economia e tecnologia da região também estão representados com instrumentos doados pelos moradores da cidade, incluindo o primeiro computador de Pilar de Goiás. A devoção, as festas, as religiosidades e a diversidade cultural da cidade também é apresentada, inclusive com a famosa receita do tradicional bolo de arroz.

A execução do trabalho incluiu a produção de novo mobiliário, montagem de painéis, nova identificação visual, sinalização e iluminação. Além da melhor fruição dos bens culturais que o museu abriga, a reformulação readequou a reserva técnica do museu, contribuindo para a adequada conservação das peças.

Horários

O Museu Casa da Princesa, localizado a 236km de Goiânia (GO), ficará aberto ao público às terças-feiras, das 9h às 13h; de quarta-feira a sábado, das 9h às 18h; e aos domingos, das 13h às 18h.

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Museu Histórico Nacional disponibiliza online 500 pinturas do acervo

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O Museu Histórico Nacional (MHN), que integra a rede do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) no Rio de Janeiro (RJ), disponibiliza online, a partir desta semana, seu acervo de pintura com 500 itens.

O Acervo MHN oferece a pesquisadores e ao público em geral acesso a informações completas sobre as obras, além de mais de uma centena de imagens em domínio público para download gratuito.

A ideia é que, nos próximos anos, as imagens de todas as 500 obras que compõem a pinacoteca do museu estejam acessíveis online. Após as pinturas, o MHN pretende disponibilizar sua coleção numismática, que conta com mais de 150 mil itens.

O projeto é resultado de cooperação entre o Ministério da Cultura (MinC), Ibram e Universidade Federal de Goiás – por meio do Laboratório de Políticas Públicas Participativas (L3P). O MHN é o primeiro museu da rede Ibram, que administra 30 museus federais, a utilizar o repositório Tainacan para acervos culturais digitais.

Como funciona - O repositório é de simples navegação: no menu principal, encontram-se as informações sobre o uso das imagens disponíveis, assim como dá acesso à pagina do MHN – onde é possível conhecer, além do acervo museológico, os acervos arquivísticos e bibliográficos do museu que já se encontram online.

A partir de curadoria feita pela equipe do MHN, estão disponíveis, nessa primeira etapa, três exposições inéditas: “Marinhas – De Martino, “Retratos do império” e “Paisagens cariocas”.

A coleção de 15 telas do pintor italiano Edoardo De Martino (1836-1912), que se estabeleceu no Brasil entre 1867 e 1875, retrata as mais representativas batalhas navais da história brasileira. O MHN possui o maior acervo do artista no país.

O MHN possui uma representativa coleção de retratos do império brasileiro – realizados por diversos artistas entre o século XVIII e século XX. Na exposição “Retratos do império” estão presentes 54 pinturas que revelam diferentes fases de personagens da monarquia brasileira.

A cidade do Rio de Janeiro, desde os tempos coloniais, é uma personagem de grande destaque na pintura. Das telas ovais de Leandro Joaquim, realizadas no século XVIII, a pinturas onde se vê a transformação da cidade ao longo do tempo, são várias as feições do Rio que podem ser vistas nas 27 telas que compõem a exposição “Paisagens cariocas”.

Também é possível conhecer os itens mais acessados pelos usuários. Com o aperfeiçoamento da ferramenta, ainda em fase de testes, o público poderá, em breve, interagir com as obras e exposições em cartaz. Conheça o acervo online do Museu Histórico Nacional.

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Museu Imperial ganha modelagem digital para preservação de palácio

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Situado em Petrópolis (RJ) e integrante da rede Ibram, o Museu Imperial acaba de ganhar mais uma ferramenta digital voltada à preservação de seu prédio e também à difusão de seu acervo: a modelagem digital de todo o antigo Palácio Imperial que abriga a instituição.

Iniciado no final de 2017 e executado em conjunto pelas empresas Autodesk, Leica Geosystems, Drone Imperial e Realize Tecnologia, o projeto replicou todo o palácio em formato digital a partir do escaneamento e captura de imagens do prédio histórico – edifício de arquitetura neoclássica datado de 1862 que funcionou como residência de verão do imperador Dom Pedro II e é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Fotos e vídeos do Palácio Imperial foram produzidos, com aparelho de escaneamento a laser de última geração e até captação através de drone, para criação de uma “nuvem de pontos” que “traduz” em linguagem digital toda a estrutura interna e externa do prédio.
Portas, janelas, colunas, frontões, vasos, contornos de parede, ornamentos de fachada, parapeitos balaustrados e outros detalhes foram recriados para que fosse realizada a modelagem em 3D do palácio com o máximo detalhamento possível. Confira em detalhes as etapas do processo.

O objetivo do projeto é permitir melhor gerenciamento de questões de preservação do palácio, assim como criar novas experiências para os visitantes.  Agora é possível ter dados detalhados que podem, por exemplo, calcular com precisão a quantidade de tinta necessária para preservar a pintura do local. As imagens captadas também podem gerar uma vivência do Museu Imperial em realidade aumentada, visitas virtuais e maquete em 3D, entre outras possibilidades.

Projeto DAMI – Outra ferramenta digital de preservação, o Projeto de Digitalização do Museu Imperial (Dami) segue disponível para a realização de pesquisa online. O projeto, que teve início em 2010, já disponibiliza para visualização na internet mais de 12 mil bens culturais que integram o acervo do Museu Imperial. A lista inclui quadros, livros, cartas e objetos históricos como coroas e trajes que eram usados pela Família Real e até a pena usada pela Princesa Isabel na assinatura da Lei Áurea. Acesse aqui.

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Biblioteca Nacional recupera mais 4 obras furtadas

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A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), anunciou em entrevista coletiva na última segunda-feira (3) a recuperação de mais quatro obras que haviam sido furtadas da instituição e estavam entre o material que o Itaú Cultural disponibilizou para a análise. As peças são a litografia "Rio de Janeiro Pitoresco" (1842-1845), de Buvelot & Moreau (foto), e três desenhos originais de Keller-Leuzinger.

Com elas, chega a 12 o número de obras da FBN que estavam no Itaú Cultural. Em março deste ano, reportagem da Folha de S. Paulo revelou que oito gravuras do alemão Emil Bauch, de 1852, expostas no Itaú Cultural, pertenciam, na verdade, à Fundação Biblioteca Nacional. À época, a revelação se deu pelo próprio ladrão das obras, Laéssio Rodrigues de Oliveira, que as teria vendido para Ruy Souza e Silva, colecionador e ex-marido de Neca Setúbal, filha de Olavo Setúbal, ex-presidente do conselho e maior acionista do Itaú. O Itaú Cultural afirma desconhecer a origem ilícita dessas obras adquiridas por eles e tem auxiliado a Polícia Federal nas investigações.

Desde então, a equipe técnica da Biblioteca Nacional vem analisando 102 obras do Itaú Cultural suspeitas de pertencer a seu acervo. Elas foram divididas para análise em três lotes. No último lote, as quatro peças foram identificadas e as demais devolvidas ao Itaú Cultural. No entanto, há ainda dezenas de itens dos lotes anteriores com análises inconclusivas que passarão por novas perícias.

Colaboração - Durante a coletiva, a Biblioteca Nacional anunciou que fará em conjunto com o Itaú Cultural um termo de colaboração que estabelecerá regras, normas e procedimentos de conduta em relação à questão do trânsito das obras de arte. O resultado esperado será a elaboração de um manual, que poderá servir para outras instituições. "O documento dará mais condições de garantir o colecionismo com segurança e será criado a partir de protocolos internacionais", afirmou a presidente da FBN, Helena Severo.

A Polícia Federal, que também participou da entrevista, informou que, a partir de novas informações da investigação e da colaboração da delação do autor dos roubos, há uma nova lista de mais obras que podem pertencer a outras instituições como o Jardim Botânico, o Museu Nacional (do Rio de Janeiro), o Palácio do Itamaraty (também no Rio de Janeiro), a Fiocruz, o Arquivo Nacional, o Arquivo da Cidade do Rio, e a Biblioteca Mário de Andrade (de São Paulo).

Foi feito um apelo para que estas instituições procurem a PF para identificar se as obras citadas, de fato, pertenciam ao seu acervo. O mesmo ladrão de obras de arte, que responde em liberdade, prestou depoimento na semana passada e deu informações sobre outras obras furtadas por ele. A investigação da polícia continua em andamento.

 

Agendas

Instrumentos e objetos de culto recolhidos pela missão

O quê: Os antropólogos Alexandre Bispo e Pai Rodney (este último é também babalorixá) debatem a contribuição da Missão de Pesquisas Folclóricas organizada por Mário de Andrade para o reconhecimento das práticas religiosas de matriz africana. A atividade integra a ação Sonhar o Mundo, que comemora os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Quando: Dia 15/12, das 16h às 18h.
Onde: Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda | São Paulo - SP)
Informações: (11) 3666-5803 | http://bit.ly/2KgjrAd

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Descolônia de Férias do parquinho lage

O quê: Atividade propõe experiências artísticas em meio à escola de arte, no tradicional palacete do Parque Lage, expandindo a escola para a floresta. Realiza atividades lúdicas em torno de práticas artísticas contemporâneas e de matrizes tradicionais de conhecimento, investigando com as crianças vivências que experimentam cultura e natureza de maneira integrada. Idade: 6 a 12 anos (ou a partir de 4 anos de acordo com o especificado no curso).
Quando: De 7/1 a 2/2 de 2019.
Onde: Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rua Jardim Botânico, 414 - Jardim Botânico | Rio de Janeiro - RJ)
Informações: http://bit.do/eCnNL

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Rosana Paulino: a costura da memória

O quê: Com curadoria de Valéria Piccoli e Pedro Nery, trata-se da maior exposição individual da artista em uma grande instituição no país. Reconhecida pelo enfrentamento de questões sociais que despontam da posição da mulher negra na sociedade contemporânea, a artista apresenta mais de 140 obras produzidas ao longo de vinte e cinco anos. A mostra encerra o ano dedicado às artistas mulheres na Pinacoteca.
Quando: De 8/12 de 2018 a 4/3 de 2019. De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h.
Onde: Pinacoteca de São Paulo (Praça da Luz, 2 | São Paulo - SP)
Informações: (11) 3224-1000 | www.pinacoteca.org.br

 

Cursos e oficinas

Diálogos Interdisciplinares em Memória e Acervos

O quê: Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Memória e Acervos, evento traz aulas com pesquisadores sobre diferentes temáticas relacionadas a esta área.
Quando: Dias 6, 7, 12, 13 e 14/12. Entrada franca.
Onde: Fundação Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134 - Botafogo | Rio de Janeiro - RJ)
Informações: (21) 3289 8695 | www.casariobarbosa.gov.br

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Curso Gratuito de Museologia Social

O quê: O curso vai abordar conceitos sobre patrimônio e museus, memória social, função social dos museus, museologia social no Brasil e experiências brasileiras nesta perspectiva. Facilitadores: João Paulo Vieira e Inês Gouveia.
Quando: Dia 14 e 15/12, das 9h30 às 17h. Gratuito (inscrições no link abaixo).
Onde: Raízes de Gericinó - Museu Casa de Bumba Meu Boi em Movimento (Estrada do Gericinó, 80 - Bangu | Rio de Janeiro - RJ)
Informações: http://goo.gl/EED1YT

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Seminário Antropologia e Museus: os desafios do contemporâneo

O quê: Promovido numa parceria entre o Ibram, o ICOM Brasil e o Curso de Museologia da Universidade de Brasília (UnB), o evento destina-se a reunir antropólogos, museólogos e interessados no tema da relação entre Antropologia e Museus, particularmente refletindo sobre novas práticas dos museus etnográficos no contemporâneo e sobre o campo da Antropologia dos Museus, que tangencia os cursos de Antropologia e de Museologia.
Quando: De 7 a 9/12.
Onde: Instituto de Ciências Sociais - Universidade de Brasília (Campus Darcy Ribeiro - Asa Norte | Brasília - DF)
Informações: http://bit.do/eCrEi | pre31rbaantropologiamuseus@gmail.com