Boletim eletrônico Nº 756 - Ano XVI - 25 de outubro a 1 de novembro de 2019

---

Nota pública sobre o modelo de concessão do Museu do Amanhã

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) torna público o ofício encaminhado no dia 18 de outubro de 2019 ao Sr. Prefeito do município do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, sobre o modelo de Concessão de Uso com Encargo de Gestão e Exploração Integradas do Equipamento Cultural, denominado Museu do Amanhã, que está em curso.

Este Instituto manifesta uma profunda preocupação sobre a abertura, prevista no Edital, da concorrência para grupos sem a exigência de experiência em gestão de museus e instituições culturais, por considerarmos que isso poderá comprometer a função pública e social do museu, transformando-o em um empreendimento de natureza meramente empresarial.

Tal possibilidade fere o Art. 1 da Lei 11.904/ 2009, que considera museu instituição sem fins lucrativos que conserva, investiga, comunica, interpreta e expõe, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, aberta ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento.

Dessa forma, entendemos ser indispensável a suspensão do certame e nos colocamos à disposição para colaborar com os subsídios técnicos necessários para a reavaliação do edital.

Leia aqui o ofício na íntegra.

 

---

Presidente do Ibram participa de evento sobre Sustentabilidade nos Museus

seminario sustentabilidade

O presidente do Ibram, Paulo Amaral, participou ontem (23) da Conferência de abertura do Seminário Internacional Desenhando o futuro: gestão e sustentabilidade nos museus. Promovido pelo Museu Paulista da USP, em parceria com o Sesc Ipiranga, o Seminário visa promover um debate sobre a função da instituição Museu na contemporaneidade e avaliar estratégias para a sua manutenção e sustentação financeira.

Também participaram do evento Renata Motta (presidente do ICOM Brasil), Laura Van Broekehoven (Pitt Rivers Museum – Universidade de Oxford/Inglaterra), Anthony Shelton (Antrhopology Museum – Universidade da Colúmbia Britânica/Canadá), Paulo Garcez (Museu Paulista/Universidade de São Paulo), Alemberg Quindins (Fundação Casa Grande/Brasil), Tui Te Hau (Biblioteca Nacional da Nova Zelândia/Nova Zelândia), Marília Bonas (Memorial da Resistência/Brasil), Lucas Sigefredo (Jardim Botânico Inhotim/Brasil), Alessandro Batista (Museu da Vida/ Rio de Janeiro) e Andrea Nogueira (CPF/SESC São Paulo), que conduziram o debate a partir de três mesas temáticas: 1) Quais os desafios e ferramentas para os museus universitários construírem um futuro sustentável?; 2) Como os museus podem atuar para auxiliar o desenvolvimento de suas comunidades?; e 3) Como os museus se posicionam diante dos novos desafios postos pelo mundo atual?.

O evento que acontece nos dias 23 e 24 de outubro, em São Paulo, reuniu profissionais, diretores de museus e pesquisadores de instituições brasileiras. Esta é a segunda edição do Seminário Internacional Museus e Sustentabilidade para a discussão deste tema. Saiba mais sobre o evento.

---

Museus Ibram participam de ciclo de palestras 'Museu de Ideias - A educação em debate'

Museu de ideia

Na próxima terça-feira (29), às 14h, acontece, no museu Casa de Rui Barbosa,  a mesa-redonda A Educação Museal na (re)definição do conceito de museu, do ciclo de palestras Museu de Ideias – a educação em debate. A organização do evento é do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), do Museu Histórico Nacional/Ibram, do Museu  da Chácara do Céu/Ibram e do Museu da Vida (Fiocruz). A entrada é franca.

O evento terá a presença do professor de museologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Internacional de Museologia (Icofom) , Bruno Brulon, da Renata Motta, do Icom BR, da diretora do Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus do Ibram, Eneida Braga, dentre outros profissionais que atuam em diferentes espaços museológicos.

Museu de Ideias

O Museu de Ideias é um ciclo de palestras desenvolvido com o intuito de ampliar a visibilidade das pesquisas realizadas no âmbito da educação, promover a socialização dos conhecimentos produzidos por estas, bem como suscitar o debate e a reflexão acerca das múltiplas questões referentes às ações educativas em museus.

 

---

Mostra celebra 130 anos de Lasar Segall

Museu Lasar Segall - foto

No ano em que se comemoram os 130 anos de nascimento do pintor, escultor, gravurista e desenhista lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1889-1957), o Museu Lasar Segall/Ibram, em São Paulo (SP), inaugura exposição que vai abordar a relação entre o artista e sua terra natal: a cidade de Vilnius (Lituânia). A mostra Vilnius e eu, que será aberta neste sábado (26),  poderá ser visitada  até 3 de fevereiro de 2020.

A exposição apresentará 28 obras de Segall que retratam a cidade ou expressam memórias do artista sobre ela, além de 21 fotografias cedidas pelo Vilna Gaon State Jewish Museum (Museu Judaico de Vilnius), que se somam a uma seleção de fotografias e documentos pertencentes ao acervo do próprio Museu Lasar Segall.

Lasar Segall nasceu na atual capital lituana, então sob domínio da Rússia czarista, no dia 21 de julho de 1889. Nascido no seio de uma família judia, Segall vivenciou desde cedo as restrições e perseguições a que os judeus estavam submetidos naquele território, experiência que o marcaria por toda a vida e se refletiria em sua obra. Além de proibidos de possuir propriedades rurais, podendo dedicar-se a algumas poucas atividades urbanas, os judeus eram vítimas de surtos de violência conhecidos como pogroms, estimulados pelo governo russo.

Foi em sua cidade natal que Segall descobriu seu pendor artístico, influenciado pela observação do ofício de seu pai – que além de negociante era escriba da Torá, o texto sagrado judaico, atividade minuciosa e de grande prestígio social. Com apoio paterno, o artista deixaria a Lituânia em 1906 para viver na Alemanha, onde estudou arte em Berlim e Dresden antes de migrar em definitivo para o Brasil em 1923.

Gravuras, desenhos e pinturas como Vilna e eu (1910), Mendigos (1914) e Meu avô (1916), que integram a exposição, fixaram a visão de Segall sobre aquele cenário histórico, geográfico e familiar. As fotografias da época em que Lasar Segall viveu em Vilnius cedidas à exposição pelo Vilna Gaon State Jewish Museum ajudam a recompor o berço daquele que, anos mais tarde, viria a ser um dos principais artistas modernistas brasileiros.

Entre os documentos do Arquivo Lasar Segall exibidos, estão carteiras de identidade, passaportes e dois documentos que encerram uma dúvida histórica: uma cópia do registro de nascimento de Lasar Segall e bilhete que atesta o nascimento do artista, ambos datados de 1889. Até bem pouco tempo, acreditava-se que o artista teria nascido em 1891 – informação que o próprio Segall costumava divulgar como verdadeira.

Essa é a primeira exposição brasileira realizada em colaboração com uma instituição sediada na cidade de nascimento de Lasar Segall. Ainda em 2019, também em homenagem aos 130 anos de Segall, o Museu Judaico de Vilnius sediará a exposição Um modernista brasileiro de Vilnius: o retorno de Lasar Segall, que apresentará na Lituânia 57 obras pertencentes ao acervo do Museu Lasar Segall.

---

A arte de Clécio Penedo é exposta no Museu Nacional de Belas Artes

MNBA-penedo

Na quinta-feira (24), a arte do pintor, gravador e desenhista Clécio Penedo (1934-2004) voltou a ser exposta no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/Ibram) durante a mostra Clécio Penedo: És Tupi do Brasil. A exposição pode ser visitada até 15 de dezembro.

O mineiro Clécio Penedo frequentou de 1954 a 1956 a Escola Nacional de Belas Artes/ENBA, que funcionava no mesmo prédio do MNBA. A partir da década de 70, desenvolve diversos trabalhos no Centro de Pesquisa de Arte, sob a orientação de Ivan Serpa e de Bruno Tausz, tendo sido aluno dos cursos de gravura em metal e desenho com Eduardo Sued e Aluízio Carvão, no MAM/RJ. Entre seus trabalhos de destaque, está o painel Brasil Colonização e Independência (1987), que se encontra no acervo do Museu Histórico Nacional/Ibram.

Em 1977, o artista recebe um material de propaganda política despertando um interesse pelas questões indígenas, então em voga nas discussões públicas da época. Penedo passa a pesquisar o tema e a fazer anotações em forma de desenhos que seriam a base para a primeira das séries, intitulada És tupi do Brasil, com a presença do índio brasileiro, que o singularizou. Nela, os índios se tornam suporte para uma campanha imaginária. A beleza dos desenhos contrasta com o misto de ironia e acidez com que o tema é tratado.

Depois, numa segunda fase de imagens com a presença do índio, Penedo promove um diálogo dos indígenas com grandes nomes da história da Arte, principalmente à europeia, evocando personagens dos quadros de Velasquez, Goya, Picasso, e Miró, dentre outros.

Com curadoria de Ayrton Costa, a exposição Clécio Penedo: És Tupi do Brasil conta com um catálogo reunindo textos de Ana Letícia Penedo, André Couto, Ivan Doro, Ronaldo Auad e apresentação de Ayrton Costa, e ainda um site, todos produzidos exclusivamente para a mostra. Para os organizadores, a mostra é uma oportunidade para o público conhecer e/ou reencontrar a obra de Clécio Penedo.

O Museu Nacional de Belas Artes fica no centro do Rio de Janeiro e funciona das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados das 13h às 18h.

Imagem: Obra Ad miró Miró 1990, de Clécio Penedo.

---

Ibermuseus lança publicação sobre sustentabilidade e museus

Banner_website_2 (3)

O Ibermuseus lançou, esta semana, a publicação Marco Conceitual Comum em Sustentabilidade, que visa oferecer aos museus da Ibero-América um documento que sirva como fonte de inspiração para a gestão sustentável das instituições da região.

Elaborado em colaboração com o Instituto Brasileiro de Museus, a publicação apresenta um estudo histórico cultural sobre a construção do conceito de sustentabilidade no contexto mundial, assim como sob a ótica da museologia na Ibero-América. Apoiar a implementação de novos modelos de gestão museal, mais conscientes e sustentáveis, tem sidoum dos objetivos do Ibermuseus desde 2014, quando foi criada a Linha de Ação Sustentabilidade das Instituições e Processos Museais, cuja coordenação é do Brasil.

A publicação bilingue (espanhol e português) foi elaborada em consonância com as declarações da Carta Cultural Ibero-americana e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030), propondo um novo conceito de sustentabilidade que agrega às dimensões econômica, social e ambiental, a perspectiva cultural, protagonizada por povos, comunidades, instituições, grupos e movimentos sociais que participam na formação da memória social ibero-americana.

Sua elaboração considera e valoriza os antecedentes internacionais relacionados à sustentabilidade das instituições e processos museais; pesquisas pré-existentes sobre o assunto no campo ibero-americano; bem como a representação do ambiente institucional (leis, normas, instituições e políticas públicas) com interface com o assunto, destacando cada país da região.

O livro está organizado em cinco partes: a primeira, concentra-se no posicionamento e na interpretação do que significa desenvolvimento sustentável; a segunda, apresenta uma aproximação entre os temas do desenvolvimento sustentável e os museus, abrangendo algumas definições sobre museus sustentáveis; a terceira parte aborda as dimensões do desenvolvimento sustentável aplicadas a museus; a quarta, abre espaço às políticas relativas ao tema, com foco na Ibero-américa, bem como apresenta o conceito operacional de Museus e Processos Museais sustentáveis, no âmbito da Linha de Ação. Na quinta parte, a obra oferece um glossário com definições complementares, transversais e operacionais.

O documento está disponível gratuitamente para consulta e download gratuito na página de Publicações do Ibermuseus. Saiba mais.

 

Agendas

Pixinguinha: naquele tempo, hoje e sempre

O quê: Com curadoria de Luiz Fernando Vianna, coordenador da Rádio Batuta, a mostra relembra a trajetória de um dos mais importantes nomes da história da música brasileira, apresentando itens do arquivo de Pixinguinha no IMS, como objetos pessoais, partituras, fotografias, gravações, vídeos, entre outros.
Quando: Até o dia 03 de novembro de 2019. De terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 11h às 20h. Entrada gratuita.
Onde: IMS Rio (Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea | Rio de Janeiro – RJ)
Informações: www.expopixinguinha.ims.com.br

---

Semana de Música Barroca - ensaio de orquestra

O quê: A produção musical francesa do período barroco, que compreende os séculos XVII e XVIII, é o foco da programação da Semana de Música Barroca, cuja programação conta com um concerto com solistas da OBU e convidados especiais, além de masterclass sobre a música barroca com Benoît Dratwicki, Mira Glodeanu, Diana Baroni e Katia Velletaz. O evento é fruto da uma iniciativa que reúne o Centro de Música Barroca de Versalhes (CMBV), na França, a Orquestra Barroca da Unirio (OBU), a Aliança Francesa e o MNBA. Os ensaios da orquestra são abertos ao público.
Quando: Dias 26 e 27 de outubro, das 14h até às 17h.
Onde: Museu Nacional de Belas Artes (Av. Rio Branco, 199 – Centro | Rio de Janeiro - RJ).
Informações: https://mnba.gov.br/portal/

---

Por trás do exposto

O quê: Na exposição Por trás do exposto, o Museu do Diamante/Ibram apresenta as práticas que integram o dia a dia das instituições museológicas, mas que não são vistas normalmente pelo visitante: conservação preventiva do acervo, restaurações, organização das reservas técnicas, entre outros. As imagens que compõem a mostra retratam a vivência profissional da equipe do Centro de Conservação e Restauração (CECOR) da Escola de Belas Artes da UFMG junto ao Museu do Diamante, que aconteceu em dezembro de 2018. A visita é gratuita!
Quando: Até o dia 10 de novembro de 2019. De terça a sábado – 10h às 17h / Domingo – 09h às 13h.
Onde: Deck do Museu do Diamante (Rua Direita, 14 – Centro | Diamantina - MG)
Informações: (38) 3531-1382 | museudodiamante.museus.gov.br

 

Cursos e Oficinas

Gestão de Riscos ao Patrimônio Museológico

O quê: O Ibram Sede vai organizar uma oficina sobre a elaboração de planos de gestão de riscos ao patrimônio museológico. A atividade faz parte das ações da Coordenação de Preservação e Segurança (Copres), do Departamento de Processos Museais (DPMUS/Ibram). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 24/10.
Quando: 30 e 31 de outubro, das 9h às 18h.
Onde: SBN, quadra 2, lote 8, bloco N, Edifício CNC III | Brasilia - DF
Informações: http://ead.museus.gov.br/mod/page/view.php…